Infecção em Prótese de Quadril

Classificação Tipo I – Precoce

Acontece poucos dias após a cirurgia de artroplastia. Apresenta febre, hematoma na região operada, podendo aparecer fístula ou não. Em infecções recentes, nas radiografias, a prótese se apresenta estável, retida, sem sinais de soltura. Há uma taxa de recorrência em 69% a 97% se apresentar biofilme ao redor da prótese.  O tratamento é a identificação do agente causador (através de cultura de secreção e antibiograma), desbridamento da ferida (quando há formação de fístulas) e após a identificação do agente, entrar com tratamento por Antibioticoterapia. Apresenta bons resultados em 86% dos casos aproximadamente.

Classificação Tipo II e III – Tardia e Hematogênica

A infecção tardia é quando acontece meses ou até anos após a cirurgia. A forma mais comum normalmente  ser via Hematogênica (sanguínea), devido à uma infecção secundária (amigdalite, otite, infecção urinária, infecção cutânea, etc.). A forma de tratamento é a troca da prótese através de uma segunda cirurgia associada à Antibioticoterapia, após a identificação do agente causador. Pode ser realizada em UM TEMPO (quando retira-se a prótese infectada, realiza-se o desbridamento meticuloso e coloca-se outra prótese no mesmo ato cirúrgico, associado à Antibioticoterapia). Tem uma taxa de sucesso em 80% dos casos de pacientes que apresentam uma condição favorável. E pode também ser realizada em DOIS TEMPOS (quando retira-se a prótese infectada, realiza-se um desbridamento meticuloso e coloca-se um espaçador de cimento com Antibiótico exatamente na forma da prótese, que preencherá o local antes ocupado pela mesma, também associado ao tratamento com Antibióticos). Esse espaçador ficará durante algum tempo no paciente, que irá variar de acordo com exames laboratoriais que mostrarão se a infecção já foi controlada, para aí sim, colocar uma nova prótese. Tem uma taxa de sucesso em 90% dos casos.

Quais as piores situações para infecção de prótese?

  • Paciente clinicamente enfermo, muito idoso, muito obeso

  • Presença de fístula

  • Osso muito comprometido, com áreas de necrose, abcessos ósseos, fraturas

  • Falha no tratamento com antibióticos ou na conduta de tratar em um ou dois tempos

  • Agente causador desconhecido

  • Organismos bacterianos multirresistentes

  • Múltiplos agentes bacterianos infectantes

Como evitar infecções?

São diversos motivos que podemos citar: o tempo que dura uma cirurgia (tempo de execução) é um fator que influencia (e  muito!!) na probabilidade de infectar uma prótese. Por isso é importante que a equipe cirúrgica esteja bem sincronizada, a fim de expor minimamente o paciente durante a realização da cirurgia, ao menor tempo possível. Também é preciso se atentar aos menores sinais de infecção pós-operatória (vermelhidão local, febre, aumento de temperatura na região operada, presença de secreção na ferida cirúrgica e fístulas). Além disso, a presença de infecções secundárias (otite, amigdalite, infecções cutâneas como erisipela, etc.), podem causar uma infecção via hematogênica, precoce ou tardia; portanto, cuidar da saúde como um todo é fundamental na prevenção da infecção. E é de extrema importância o tratamento multidisciplinar, ou seja, o cirurgião aliado à um bom médico infectologista, experiente em infecção em prótese, vão facilitar a melhor conduta a ser executada para o paciente.

Tomando todos os cuidados pertinentes durante todo o planejamento cirúrgico, pré e pós-operatório, teremos certeza que sua prótese terá uma longa duração e excelente resultado!!!

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